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domingo, 1 de maio de 2011

Remembrance

Houve uma época em que ter certos olhos encontrando os meus era o bem mais precioso do mundo. Era valioso, raro, brilhante. Sonhei muito com esse olhar depois que ele se foi. 

Não vale a pena ficar rememorando cada pessoa, cada angústia, cada intriga, cada sofrimento na vida, mas vale relembrar, ou melhor, viver 're-sentindo' o que nos fazia bem, o que nos completava. Eu me esqueci do rosto, do olhar, me esqueci do que acabou. Lembrei dos sentimentos.

Eu gostava do brilho que ofuscava qualquer pensamento, das mãos que tocavam as minhas, tremia sob aquela pele, tencionava discutir com o destino. Era demais sentir tudo aquilo, era penoso, era penosamente bom ter o coração sempre saltando e a vida pulsando, como se eu pudesse me dividir em vários de tanta vida que transbordava.

Lembro como amava aquele formigamento na nuca quando você vinha perto de mim, sem se fazer notar. E daquele frio na barriga que eu sentia quanto ia te ver, como era estranho e maravilhoso. Lembro das lágrimas de felicidade, que saltavam quando a emoção de você existir era pesada demais. Quando saber que você, nesse mundo enorme, havia me encontrado. E eu a você.

Meus sentimentos eram muito maiores que você. Era natural que você passasse e eles ficassem. Pena.

sábado, 19 de março de 2011

Sete Dias que abalaram a "Terra do Sol Nascente"

Por Robson de Medeiros

   Uma semana de dúvidas, temores e tremores adentraram o Tigre Asiático.
    Lavado pelas águas trágicas de um tsunami que precedeu a tremores de terra de altíssima magnitude, o Japão vive abalos em todas as suas estruturas. Não fosse o bastante todas as desgraças geofísicas causadas pelo terremoto e pela onda gigante, os nipônicos ainda encaram o desmoronar de suas certezas quando ao seu programa nuclear. Atacadas pelas explosões de seus reatores, as certezas de que o Japão estava preparado para enfrentar os problemas que pudesse haver em suas usinas nucleares, desfalecem em meio ao caos instalado no país.Mas não só a tsunami lava o Japão desregradamente, as lágrimas contidas de uma cultura que preza pela descrição também  molham a rotina perturbada pela catástrofe natural. Enquanto o país transforma em números estatisticos os cadáveres que emergem da pós-convulsão da Gaia, construções, projetos, planos e vidas viram espetáculos tenebrosos nos telejornais mundo a fora.