Houve uma época em que ter certos olhos encontrando os meus era o bem mais precioso do mundo. Era valioso, raro, brilhante. Sonhei muito com esse olhar depois que ele se foi.
Não vale a pena ficar rememorando cada pessoa, cada angústia, cada intriga, cada sofrimento na vida, mas vale relembrar, ou melhor, viver 're-sentindo' o que nos fazia bem, o que nos completava. Eu me esqueci do rosto, do olhar, me esqueci do que acabou. Lembrei dos sentimentos.
Eu gostava do brilho que ofuscava qualquer pensamento, das mãos que tocavam as minhas, tremia sob aquela pele, tencionava discutir com o destino. Era demais sentir tudo aquilo, era penoso, era penosamente bom ter o coração sempre saltando e a vida pulsando, como se eu pudesse me dividir em vários de tanta vida que transbordava.
Lembro como amava aquele formigamento na nuca quando você vinha perto de mim, sem se fazer notar. E daquele frio na barriga que eu sentia quanto ia te ver, como era estranho e maravilhoso. Lembro das lágrimas de felicidade, que saltavam quando a emoção de você existir era pesada demais. Quando saber que você, nesse mundo enorme, havia me encontrado. E eu a você.
Meus sentimentos eram muito maiores que você. Era natural que você passasse e eles ficassem. Pena.
